domingo, 4 de junho de 2017


O NOME DE DEUS
Não, não vou entrar nessa de querer desvendar o nome de Deus. Nenhum especialista sério até hoje conseguiu. Quem sou eu? Evidentemente estou falando do Deus dos hebreus antigos, o mais popularmente "usado", do ano 325 para cá (gosto de sempre dizer que se não fosse pelo imperador romano Constantino e seu Concílio de Nicéia, nem Javé, nem Jesus, o Cristo, dariam sequer uma nota de rodapé na História humana). Mas podemos brincar com essas fábulas... ou não? Não?! Não mesmo?! Áh! Então é melhor ainda. O que é proibido, heresia, basfêmia etc. é mais gostoso.
Você, leitor, sabe qual é o nome (entre todos, tanto masculino quanto feminino) mais popular do mundo? A resposta é Mohamed. Por que? Porque esse é o nome verdadeiro do profeta maior dos muçulmanos; Maomé. Então, para homenagear o "líder espiritual" os pais muçulmanos (pais mesmo, nunca as mães) dão esse nome aos seus machinhos de maneira alucinante.
Bom, agora voltando a falar de Deus, há vários nomes desse deus dos hebreus (e também dos cristãos e muçulmanos) na Bíblia. Mas, como em hebraico está na Torá "No princípio, criou elohim os céus e a terra", a transliteração do hebraico para o português, na verdade, é assim: "No princípio os deuses criaram os céus e a terra". Então os hebreus deram o nome de várias personagens e lugares bíblicos com nomes começados ou terminados em "el"(Deus), já que ohim é uma palavra que designa plural; el (Deus) + ohim: Elohim, logo elohim significa "deuses".
Eu pesquisei um pouco isso e descobri que "El" era um nome tão forte na religiosidade dos israelitas, que na Bíblia encontram-se no mínimo (não contei todos, claro) 120 nomes de pessoas ou lugares terminados em "El". São homenagens do povo e seus escribas a seu deus.
Dentre os nomes mais conhecidos de pessoas, destacam-se: Abel; Gabriel; Rafael; Miguel; Abimael; Daniel; Eliel; Elias; Gamaliel; Hazael; Ismael; Jodiel; Joel; Micael; Natanael; Peniel; Raquel; Samuel, etc., e o próprio Deus dos hebreus, El Shaddai (poderoso, suficiente) e o já supracitado Elohim (deuses).
Com base nos escritos de estudiosos sérios, teólogos e rabinos, alguns desses nomes foram decifrados (há contradições, claro). Listei alguns:
GABRIEL --> "Aquele que Deus enviou", ou "Mensageiro de Deus".
RAFAEL --> "A cura de Deus" ou "Anjo da cura". Não a toa que alguns hospitais levam nome de "Hospital São Rafael", o que não tem nada a ver, pois Rafael "é" um anjo, não um santo. "Hospital São Lucas", faz sentido.
MIGUEL --> "Igual a Deus" (brrr! Por que será que senti calafrios?).
Exemplos de lugares com "El": Betel; Babel; Elat, etc.. Pra finalizar, o nome do país, criado, de fato mesmo, em 1948: Israel​ (homem que luta com Deus). Melhor, né? Já imaginou um país com o nome de "Jacó"?
Assim como todas as religiões, isso não passa de uma questão de cultura, só isso. Um abraço amigos.
TEXTO de RICHARD HOFFMAN


quarta-feira, 31 de maio de 2017

BARRACOS de FAMÍLIA

A Maldição dos Primogênitos Bíblicos.

A partir da atitude de Caim, os primogênitos não tiveram boa acolhida nas páginas da Bíblia. O primogênito de Abraão foi Ismael, filho da egípcia Agar, serva de Sara. Mas o herdeiro de Abraão, que ficou com seus bens e sua descendência oficial foi Isaque. O primogênito de Isaque foi Esaú, mas Isaque abençoou o segundo filho, Jacó.

Rebeca, mulher de Isaque, deu a luz à Esaú e Jacó, que brigaram desde o ventre (!). Até na hora do parto, Jacó saiu com a mão agarrada no calcanhar do primogênito Esaú (!). Este se tornou exímio caçador, e Jacó, preguiçoso. Isaque amava mais a Esaú, e Rebeca amava mais Jacó, cuja personalidade fraca e desonesta se manifesta quando ele, se aproveitando do cansaço do irmão, propôs comprar a primogenitura por um prato de lentilhas e um pedaço de pão (!). E o pior foi que Esaú aceitou (!), Genesis 25:31-33.

O capítulo 27 narra a grande trapaça. Jacó e sua mãe se unem para enganar o velho Isaque e tirar a benção de Esaú para Jacó, a quem já temos uma certa medida de caráter do homem que mais tarde irá lutar com Deus e -- pásmem -- vencê-lo (!!!).

Até cobrem o corpo de Jacó com pelo de bicho para que pareça peludo e fedido como Esaú, para ludibriar o cego e tronxo Isaque (!), Gênesis 27:11-30. Jacó ainda usa o nome do Deus Javé de forma ardilosa (Gênesis 27:20) para enganar o próprio pai e receber a benção de primogenitura (!). Isaque abençoa Jacó assim: "Que Deus te dê o orvalho do céu e as gorduras da terra, trigo e vinho em abundância. Que os povos te sirvam, que as nações se prostrem diante de ti. Sê um senhor para teus irmãos, que se prostrem diante diante de ti os filhos de tua mãe..." Esaú passou a odiar Jacó; "Pela segunda vez Jacó me trapaceia", reclama o irmão (versículo 36), prometendo matá-lo.

"Abeçoa-me também, meu pai", implora Esaú. "Xá comigo!!",  despertou o inteligente pai, observe: "Longe das gorduras da terra será tua morada. Longe do orvalho que cai do céu. Tu viverás de tua espada (matança), e servirás a teu irmão (escravo do próprio irmão). Mas quando te libertares, sacudirás seu jugo de tua serviz", ou seja; Isaque -- inacreditavelmente ainda amaldiçoa o primogênito Esaú (!).

A história de Jacó é longa. Envolve várias absurdidades até sua morte. Desse modo fraudulento foi abençoado o homem que deu origem a Israel (!). Mas não posso me alongar e perder o foco desse texto.

Continuando; o primogênito de Jacó foi Ruben, que não teve importância na nascente nação israelita. O destaque foi para José, o penúltimo filho, aquele que instalou a escravidão do seu próprio povo, vendendo-o ao Faraó (!), Gênesis 47:8-25.

Ruben foi marcado por ter possuído Bala, uma das mulheres de seu pai, que soube e, o corno, nada fez (!), Gênesis 35:22.

Jacó (Israel) ao abençoar os filhos de José, cruzou as mãos, trocando a ordem de propósito e botou sua mão destra sobre a cabeça de Efraim que era o segundo filho, deixando assim de abençoar o primogênito, Manassés (!), Gênesis 48:14-19. Entretanto, José percebeu o erro e isso lhe desagradou. Ele tomou a mão de seu pai afim de desvià-la da cabeça de Efraim para a cabeça de Manassés, dizendo: "Não assim, pai, pois é este o mais velho". O já gagá Israel se recusou: "Eu sei meu filho. Seu filho mais moço será maior que o outro. Sua descendência se tornará uma multidão de nações" (!). Promessas nunca realizadas, como sempre.

O primogênito de Judá, Er, era mau aos olhos de Deus e por isso ele o matou (!), Gn 38:6. Tudo bem, pois no mesmo capítulo Javé mata também o irmão, Onã, por não obedecer a seguinte ordem de Judá: "Vá, possua a mulher do teu irmão e dê posteridade a ele". Mas Onã só gozava fora, desagradando Deus. Coitado!

No nascimento dos gêmeos de Tamar, Zera colocou o braço para fora primeiro, mas Perez passou à frente e saiu antes do irmão (!), Gênesis 38:28-30. Ele é o ancestral de Davi que, por sua vez é o ancestral de Jesus.

Mais adiante, na saga de Moisés, veremos Javé em plena atividade matando todos os primogênitos do Egito (!).

Arff!! Parece que, depois de Caim, ser primogênito passou a ser arriscado perante o Deus dos hebreus e perante os homens daquela confederação tribal.

Caim, após receber a maldição de Deus, que seria fugitivo e errante pela Terra, temeu que quem o encontrasse lhe tirasse a vida. Mas Caim não contava com a astúcia de Javé; "O Senhor lhe pôs um sinal para que não o ferissem de morte" (!). Que fofo!

Já para a relação entre Abraão e Isaque, não pode ter de nenhuma forma havido um final feliz; apenas a vivência traumática de uma tortura absurda. Para Isaque, o episódio com certeza fez com que se rompesse a confiança que um filho deposita na boa vontade de seu pai. E é de suspeitar que nunca mais, depois daquilo, Isaque conseguiu permanecer na presença de Abraão sem o temor e o tremor que sente alguém diante de um psicopata altamente perigoso, a ponto de deixar corados de vergonha esses fanáticos que, assim como Abraão, matam sem pestanejar, só por um capricho de um Deus (qualquer deus, que aparece do nada) borrifado de sangue o tempo todo, afim de satisfazer aquele egoísmo primitivo que ainda habita crânios dos irracionais.

A conclusão que cheguei é que realmente nosso cérebro é incrível, a ponto de acreditar em tais absurdidades como verdade. O cérebro humano é, sem usar de  metáforas, literalmente fantástico (desnecessário dizer que é no pior sentido).



Texto de Richard Hoffman

22-6-2016

domingo, 21 de maio de 2017

O DIABO QUE TE CARREGUE
 Capítulo 12

A Invenção da Personificação do MAL

Os devotos de Javé gostam de pregar o "Livre Arbítrio". Livre arbítrio esse que não está escrito em nenhum lugar na Bíblia, muito pelo contrário; há naquele livro somente ameaças e chantagens emocionais, com condenações sumárias, que, foram executadas, diga-se de passagem, com muito prazer durante séculos seguidos, por cristãos e Islâmicos (estes últimos continuam em plena atividade degolando geral), em nome de Javé/Alá e em nome de Jesus e/ou Maomé.

As características de Javé são revindicadas pelo próprio como sendo incomparáveis, exclusivas e absolutas: crueldade; desonestidade; ciúme doentio; injustiça; temperamento explosivo; xenofobia; ira até contra as mulheres grávidas; gosto pelos flagelo​s e chacinas; amante de sangue e gordura; assassino impiedoso. De todos esses itens, apenas um será tomado como exemplo neste capítulo: a crueldade. Nada de amor, apenas temor. Não pode haver nada mais cruel que uma autoridade -- qualquer que seja ela -- mandar filho matar pai e pai matar filho. Ao leitor desse texto eu faço uma pergunta: existe tristeza maior no mundo do que um pai ou uma mãe enterrar o próprio filho (a)? Sim, por mais absurdo que pareça: é MATAR SEU PRÓPRIO FILHO. Pois Javé mandou matar irmão/filho/esposa/amigo se estes tivessem convidado a servir outros deuses. O HORROR É A LEI, observe:

"Se seu irmão, filho de seu pai ou de sua mãe, ou seu filho, sua filha, ou esposa que repousa em seus braços, ou amigo íntimo quiser seduzir você secretamente, convidando: 'vamos servir outros deuses' (deuses que nem você nem seus antepassados conheceram, deuses de povos vizinhos, próximos ou distantes de você, de uma extremidade da Terra a outra), não faça caso, nem dê ouvidos. Não tenha piedade dele, não use de compaixão, nem esconda o erro dele. Pelo contrário: você deverá matá-lo. E para matá-lo, sua mão será a primeira. Em seguida, a mão de todo o povo. (Deuteronômio 13:7-9. Ver também Deuteronômio 13:15-17 e Êxodo 22:20).

Lembrando, ao caro leitor, do quinto mandamento desse Deus hebreu: "Não Matarás".

Portanto, quem prega o "Livre Árbitro" bíblico é o típico crédulo que tem uma Bíblia, mas não a lê. Pois quem segue um livro sagrado está condicionado a aceitar cegamente tudo o que esse livro diz. O crédulo está condicionado a jamais fazer uma análise crítica dessas escrituras sagradas e anotar suas incoerências, suas contradições e seus erros, por mais absurdos que esses erros sejam. O fiel não tem esta liberdade, porque ele aceitou (ou lhe foi impingido no seu cérebro, na lacuna do medo) esse livro como revelação divina. Então, tudo o que há de ruim e errado do ponto de vista racional, a mente do crédulo será programada a justificar e defender tais insanidades do ponto de vista da crença em seu Deus e da sua religião. A bem da verdade, não existe de fato "interpretação bíblica". O que existe de fato é o que "você acha" que é a sua interpretação da Bíblia. Se Deus é a autoridade suma e última, então não há regras às quais deva submeter-se. Assim, ele pode escolher não prever a vida dos homens, mas não pode proibir-se disso; não pode fazer-se incapaz disso. Se por algum motivo qualquer, Deus quisesse prever nossa vida como o roteiro de um filme, visto que é onipotente, criador dos céus e da Terra, poderia fazê-lo, pois não existe limites ao que sua vontade é capaz de perpetrar. Por outro lado, se não puder fazê-lo, não é onipotente -- logo, tampouco é um deus. Portanto, quanto à presente questão da incompatibilidade entre existência de um deus onisciente e a liberdade humana, podemos dizer que a existência​ de um deus implica necessariamente a escravidão de tudo o que se encontra debaixo dele. Assim, se Deus existisse, só haveria para ele um único meio de servir à liberdade humana: seria o de cessar de existir.

Uma pergunta hipotética: o mal é uma livre escolha feita pelos seres humanos que depois vão prestar contas num tribunal divino? Digamos que sim. Então, se não houvesse a teoria do "Livre Arbítrio" pela qual os homens podem contrariar a vontade de Deus e pecar, Deus seria o responsável por todo o mal da Terra? Seria isso mesmo? A resposta obviamente seria SIM, Deus seria o responsável. Mas aí qual seria a vantagem de seguir esse Deus? Que diferença haveria entre Deus o Diabo, afinal? É aí que está a questão: não haveria a necessidade do Diabo, simples assim. E não havendo o Diabo, Deus não seria necessário. Crer nisso, obviamente não é natural. A religião é o subproduto do erro, uma ideia, uma visão de mundo ou filosofia que deveria ser abandonada a milênios, visto quanta desgraça ela trouxe a humanidade. A fé pode até não ser uma anomalia, mas a religião é. Não é a fé -- a boa fé -- em si que se aproveita das piores fraquezas do ser humano, mas as religiões (criadas com funestos propósitos​) que​ se aproveitam das fraquezas humanas, para controle social; qualquer pesquisador sério e com boa vontade pode ver isso. E a fé -- que talvez seja a mais ingênua, natural e pura das nossas fraquezas -- é o alvo principal dos líderes religiosos. Ninguém compreende tão bem o que se passa na cabeça de um ser humano simplório, ignorante, desavisado tanto quanto um grande líder religioso, ninguém (talvez nem Freud).

As três religiões Abraãmicas sempre tomaram o devido cuidado de silenciar ou executar aqueles que as questionam. Esses bastiões usurpadores da fé se aproveitam da ignorância e do medo natural do homem; o medo do desconhecido, com a finalidade de entorpece-lo de ilusões e de falsas esperanças. No entanto, os charlatões nunca teriam tanto sucesso se o homem não fosse um ser egoísta por natureza também. Por tudo isso, se fez a necessário criar uma figura do mal; do mal personificado, com a clara finalidade de eximir "Deus" da culpa, e recolocá-lo como nosso "Salvador" por meio de seu filho. E as religiões com seus templos e igrejas (as casas de Deus) estarão sempre lá, de portas abertas, para "lhe proteger" do Diabo... que eles mesmos inventaram! Nos é doutrinado que existe um único poder, e quando ele é usado de maneira construtiva, harmoniosa e pacífica, as pessoas o chamam de Deus, bem-aventurança ou felicidade. Quando usamos esse poder de maneira ignorante, estúpida, maliciosa, ele recebe o nome de Diabo.

No entanto, o poder, na verdade, é um só, e o mal só existe porque é um movimento do pensamento. O mal que fazemos nunca vem de fora de nós, mas do nosso cérebro. É um movimento natural, não sobrenatural. E quanto a bondade, é natural também que, tratar os outros como gostaríamos que os outros nos tratassem é um preceito sóbrio e racional, que é possível ensinar a qualquer criança com sua noção inata de justiça (e que acaba com todas as "beatitudes" e parábolas de Jesus) está perfeitamente ao alcance de qualquer ateu, e não demanda masoquismo/sadismo e histeria quando violado. O bem também é lentamente aprendido, como parte da evolução dolorosamente lenta da espécie, e uma vez compreendido nunca é esquecido. A consciência comum dá conta disso, sem a necessidade de qualquer ira celeste por trás.

 
Texto de Richard Hoffman 
O DIABO QUE TE CARREGUE
 Capítulo 13
  
A Invenção da Personificação do MAL

E quanto ao Novo Testamento? Onde está a maldade nesse livro? Qual Testamento é pior para a humanidade; o Antigo ou o Novo?

Se parece estranho que uma ação deva deliberadamente ocorrer a fim de que uma previsão se realize, isso é porque é estranho. E é necessariamente estranho porque, assim como no Antigo Testamento, o "Novo" também é obra de carpintaria ruim, encaixado muito depois dos supostos acontecimentos e cheio de tentativas improvisadas de fazer as coisas parecerem certas.

O fato simples é que o Novo Testamento, como conhecemos, é uma acumulação atabalhoada de documentos mais ou menos divergentes, alguns deles provavelmente de origem respeitável, mas outros claramente apócrifos, e a maioria deles, tanto os bons quanto os ruins, mostram sinais inequívocos de terem sido adulterados.

Mas isso é assunto para outro texto. O que importa aqui é responder a pergunta acima. É inegável que nada se compararia as barbaridades cometidas pelo Deus abilolado do Antigo Testamento e seus seguidores igualmente maníacos caso alguma daquelas fantasias (de muito mau gosto) tivessem realmente acontecido. Ainda bem que o que está escrito ali só aconteceu mesmo na cabeça de um fanático, certo? Não é bem assim. Lembre-se que se trata uma legião de fanáticos; a metade da população humana. Lembre-se também que esses fanáticos só não voltam a colocar em prática os mandamentos de Javé por causa das República, ou Democracia. Violenta, irracional, intolerante, aliada do racismo, do tribalismo e do fanatismo, baseada na ignorância e hostil a livre reflexão, depreciativa das mulheres e coerciva para com as crianças: a religião organizada tem muito em sua consciência. Há mais uma acusação a ser acrescentada à lista de indiciamentos. Com uma boa parte de sua mente coletiva, a religião espera a destruição do mundo. Com isso eu não quero dizer "espera" simplesmente no sentido escatológico de antecipar o fim. Na verdade quero dizer que ela, aberta ou disfarçadamente, deseja que o fim aconteça. Talvez meio consciente de que seus argumentos por si sós não são totalmente convincentes, e talvez desconfortável com sua própria acumulação gananciosa de poder temporal e riqueza, a religião nunca deixou de proclamar o Apocalipse e o Dia do Juízo Final. A outra quase metade dos crédulos não Abraãmicos acredita em outras fantasias, como o hinduísmo, por exemplo. Nós, racionais (talvez 2%), por um lado, estamos aliviados em saber que aquilo nada mais é do que, no melhor das hipóteses, uma verdadeira paródia (se não fosse tragédia) da origem do mundo. Mas somos nós, os racionais, os ateus, os 2%, ou seja, a minoria quem mais sofremos com a pressão desses lunáticos; esses não suportam a ideia de que existem pessoas que não tem medo de pensar e refletir sobre conteúdos. 

O Novo Testamento é muito pior que o Antigo, porque no Antigo Deus mata e manda matar; acabou! Mas o "Novo" nos impõe um sistema de ameaças que deixariam corados de vergonha e inveja Hitler com o nazismo, Stalim e Kim Jong-Un, da Coréia do Norte com o comunismo. No "Novo" você já nasce pecador, devendo sua vida a Jesus, que morreu por você (por apenas três dias!) pelos seus pecados, a despeito de você querer ou não isso. Oras, toda ideologia que ameaça com castigo e inferno é perversa, e deve ser rejeitada. Se rejeitamos Stalin e Hitler, por que não faríamos o mesmo com Jesus? 


O inferno não é uma teologia judaica, o inferno foi introduzido por Jesus; essa versão "boazinha" Javé dos cristãos. Foi Jesus quem começou a falar de Inferno e castigo em lago de fogo. Jesus diz claramente que quem o rejeita será castigado no inferno. Jesus ameaça com punição em João 3:36: "Quem crê no filho (nele) tem a vida eterna. Quem recusa crer no filho não verá a vida. Pelo contrário, a ira de Deus permanece sobre ele". Ou seja, quem rejeita Jesus é ímpio, é mau, e por isso serão castigados!


Pergunte-se: você seria uma pessoa ruim por rejeitar as ideias de Hitler ou Stalin? Acho que não, né? Então por que rejeitar as ideias de Jesus (na base de ameaças e chantagens emocionais) automaticamente o torna uma pessoa ruim, e deve ser castigada num lago de fogo e enxofre? Pior ainda; deve ser torturado por toda eternidade. Uma das muitas ligações entre a crença religiosa e a infância sinistra, mimada e egoísta de nossa espécie é o desejo reprimido de ver tudo esmagado, destruído e reduzido a nada. Essa necessidade de cólera se soma a dois outros tipos de "alegria culpada". Primeiramente, a morte de alguém é cancelada -- ou talvez quitada ou compensada -- pela obliteração (eliminação) de todas as outras. Em segundo lugar, é sempre possível esperar de maneira egoísta que alguém seja pessoalmente poupado, se recolha satisfeito ao recesso do exterminador em massa e observe de um lugar seguro o sofrimento daqueles com menos sorte.


Tertuliano (um dos muitos pais da Igreja -- 160-220 E.C. -- que introduziu a palavra "Trinitas", que mais tarde seria a "Santíssima Trindade") achou difícil dar um relato convincente do Paraíso, talvez tenha sido inteligente ao buscar o mínimo denominador comum e prometer que um dos prazeres mais intensos da outra vida seria contemplar eternamente as torturas dos condenados (!). Sim, qualquer crédulo consegue definir o inferno muito melhor do que o Céu! Que tocante; que lindo; que inveja. Tá escorrendo uma lágrima aqui. Dá até vontade de se ajoelhar e se converter, não dá? Será que você, leitor (tendo acertado na escolha da religião), verá seus pais, seus filhos, seus irmãos ou seus amigos​ gritando no caldeirão do Diabo, caso eles tenham sido enganados e seguido erradamente alguma outra religião, ou não tiveram tempo de se arrepender dos seus pecados no leito de morte? Como você viverá essa felicidade plena no Céu lembrando (e contemplando o sofrimento) dessas pessoas a quem você aprendeu a amar, que estarão no inferno? Nós não lembraremos deles no Céu, é isso? Mas então seremos como zumbis, pois somos nossas lembranças, nossas histórias. Se tirarem isso de nós, estaremos como mortos, não parece óbvio?


Falando sério, o sensato é simplesmente rejeitar toda perversidade, ponto final. Pois impingir tais insanidades nos cérebros das crianças é a pior das maldades. 

Texto de Richard Hoffman





O DIABO QUE TE CARREGUE
Capítulo 14
 
A Invenção da Personificação do MAL

Finalmente chegamos ao último capítulo deste texto. Não por falta de interesse, mas porque, como se vê, isso aqui tem o propósito de ser apenas um texto, não um livro. Há muito o que se dizer sobre a invenção da personificação do mal, sendo o Diabo, Satanás ou não, mas... precisamos terminar com esse texto uma hora. Tentei redigir os capítulos de modo interconectado, apresentando ideias de forma gradativa, para assim facilitar a compreensão geral. Os raciocínios de cada capítulo estão embasados nas conclusões do anterior, e seguem-se em ordem crescente de entrelaçamento. Sugiro, então, que sejam lidos na ordem que se apresentam, pois tentei simular através dessa ordem a forma real como tais pensamentos formaram-se em mim, o mais natural possível. Talvez não tenha conseguido total intento, mas arregacei as mangas e, assim, a exemplo do professor Eustáquio e nosso amigo Bebedouro, não me acovardei. Em homenagem a todos os autores dos livros dos quais eu extraí conhecimentos, vou creditar Carl Sagan, Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Geza Vermes, Jomar Fernandes, André Cancian, Shlomo Sand, Sam Harris, Michael Shermer entre outros. Não posso deixar de agradecer ao professor de Grego e Hebraico Fábio Sabino e também ao​ professor de Português Eustáquio; este cearense que, com seus vídeos, não só aprendi, mas me senti motivado a participar de canais ateístas -- canais como desse meu novo amigo: Aparecido Bebedouro, que gentilmente fixa meus textos no seu blogger. Enfim, em homenagem a todos estes seres vivos e mortos que nos deixaram suas obras, vou terminar meu discurso relembrando que: para os ateus, tanto a bondade quanto a maldade, tudo recai tão somente sobre os ombros do arbítrio individual, não sendo possível qualquer espécie de generalização da causa de seu ato que venha abarcar o ateísmo. O termo ateísmo, na verdade, nem mesmo deveria existir. Ateísmo é simplesmente o reconhecimento do óbvio, das evidências, da honestidade intelectual e a verdade empírica. Aliás, é exatamente por causa dessa honestidade intelectual -- e dessa coragem ensinada principalmente nas escolas -- que em nossa sociedade, a palavra ateu tornou-se tão carregada de preconceitos, tão estigmatizada, que chamar um indivíduo de ateu, longe de ser uma mera classificação, parece ser na verdade uma espécie de insulto, como se fôssemos "satanistas", ou "anti-Cristos". Isso é quase uma regra contra todos aqueles que não comungam das mesmas crenças das quais os crédulos estão escravizados. A única crença (metaforicamente falando) em que nós ateus damos valor é a crença na Ciência -- não à crendice, não de forma sobrenatural. Explicando melhor; damos crédito total a Ciência, não damos crédito algum as religiões, com seus deuses bons e/ou maus. A ideia de que, quem não aceita a existência de Deus está contra Deus é absurda, primitiva e decrépita. O verdadeiro crente não pode descansar enquanto o mundo não se ajoelhar diante disso. Não acreditar no "Demo" ofende tanto quanto não acreditar em Deus. Deus e suas seitas nunca teriam tanto sucesso se não fosse pela invenção da personificação do mal, vulgo Diabo. Um justifica a existência do outro. A Igreja cristã precisa do Diabo muito mais do que os crédulos são capazes de imaginar. Arrisco a dizer que a existência da Igreja depende muito mais do Diabo do que de Jesus. Afinal é o medo que faz com que as ovelhas se juntem, se arrebanhem na crença da proteção e (falsas) esperanças. É o medo somado a covardia intelectual que agrega esses "pobres diabos". A origem mitológica do Diabo como sendo um ser de origem divina é necessária para justificar sua existência, pois se não tivesse poder celeste, como poderia o Diabo continuar desafiando Deus permanentemente? Como? A resposta é muito simples: criar, assim como foi feito com o próprio Deus Javé, uma imagem e personificação do Diabo. Ainda que seja razoavelmente impossível lutar contra um Deus onisciente, atributo não dado ao pobre Diabo. Mas os crédulos nem percebem essa incoerência, coitados. "No mundo assombrado pelos demônios em que habitamos em virtude de sermos humanos, talvez seja apenas isso o que se interpõe entre nós e a escuridão circundante", disse Carl Sagan.

O criador do mal está mais próximo e íntimo de nós do que imaginamos; olhe-se no espelho e reflita.

A "salvação" do desconhecido não está em acreditar em fábulas, mas em nunca reprimir nossas dúvidas pelo medo; o medo da morte. Só nos resta uma única e verdadeira "salvação": viver plenamente a vida. A esperança de todo ser vivo, pensa um racional, é continuar vivo. Esta sim é a verdadeira esperança, afinal, a vida depois da morte não deve ser muito pior que a vida antes do nascimento.

As lacunas do desconhecimento costumam ser preenchidas por sólidas crenças, que serão defendidas, custe o que custar. A religião é um consolo íntimo com alto risco de infâmia coletiva. Quando uma pessoa sofre de um delírio, chamamos isso de insanidade; quando pessoas sofrem de um delírio coletivo, isso é religião.

Para ser um satanista você não precisa fazer absolutamente nada; basta você não acreditar que Satanás existe. A maioria dos cristãos espalham que o maior trunfo de Satanás é levar as pessoas a acreditar que ele não existe. Assim, se você não acredita que Satanás existe, você está sendo enganado por Satanás; você indiretamente é um seguidor de Satanás, logo você já é um satanista, e não se fala mais nisso!

"A razão deveria ser destruída em todos os cristãos. Ela é a maior inimiga da fé. Quem quiser ser um cristão deve arrancar os olhos da razão"

"É impossível para o cristão e para a verdadeira Igreja subsistir sem derramar sangue, pois seu adversário, o Diabo, é assassino e mentiroso. A Igreja cresce e progride através do sangue; e ela está banhada de sangue"
"Os loucos, aleijados, cegos e mudos são homens em quem os demônios fizeram sua morada. Os médicos que curam estas enfermidades como se tivessem causas naturais são idiotas ignorantes (!)".

Frases de Martinho Lutero (1483-1546), considerado o pai do protestantismo.

A religião é aquela esfera de pensamento na qual o ser humano mostra tanto o seu melhor lado heróico quanto seu pior lado trágico. O homem sente certa segurança ao permanecer de acordo com o senso comum. Ele assim determina a si mesmo e aos seus filhos uma subserviência mental ou psicológica ao consenso estabelecido em sua vida religiosa. Isso é somado um abandono virtual daquilo que torna o homem único; a faculdade da razão e o desejo consciente por​ conhecimento.

O sono da razão produz monstros, e a falta de mudanças produz o sono da razão. Como se vence os demônios? Como escapar da condenação divina? Resposta mais simples, impossível: não é que o bem não pode existir sem o mal, mas que o bem não é necessário sem o mal, simples assim.
 

Texto de Richard Hoffman

terça-feira, 9 de maio de 2017

O DIABO QUE TE CARREGUE
Capítulo 13
A Invenção da Personificação do MAL

E quanto ao Novo Testamento? Onde está a maldade nesse livro? Qual Testamento é pior para a humanidade; o Antigo ou o Novo?

Se parece estranho que uma ação deva deliberadamente ocorrer a fim de que uma previsão se realize, isso é porque é estranho. E é necessariamente estranho porque, assim como no Antigo Testamento, o "Novo" também é obra de carpintaria ruim, encaixado muito depois dos supostos acontecimentos e cheio de tentativas improvisadas de fazer as coisas parecerem certas.

O fato simples é que o Novo Testamento, como conhecemos, é uma acumulação atabalhoada de documentos mais ou menos divergentes, alguns deles provavelmente de origem respeitável, mas outros claramente apócrifos, e a maioria deles, tanto os bons quanto os ruins, mostram sinais inequívocos de terem sido adulterados.

Mas isso é assunto para outro texto. O que importa aqui é responder a pergunta acima. É inegável que nada se compararia as barbaridades cometidas pelo Deus abilolado do Antigo Testamento e seus seguidores igualmente maníacos caso alguma daquelas fantasias (de muito mau gosto) tivessem realmente acontecido. Ainda bem que o que está escrito ali só aconteceu mesmo na cabeça de um fanático, certo? Não é bem assim. Lembre-se que se trata uma legião de fanáticos; a metade da população humana. Lembre-se também que esses fanáticos só não voltam a colocar em prática os mandamentos de Javé por causa das República, ou Democracia. Violenta, irracional, intolerante, aliada do racismo, do tribalismo e do fanatismo, baseada na ignorância e hostil a livre reflexão, depreciativa das mulheres e coerciva para com as crianças: a religião organizada tem muito em sua consciência. Há mais uma acusação a ser acrescentada à lista de indiciamentos. Com uma boa parte de sua mente coletiva, a religião espera a destruição do mundo. Com isso eu não quero dizer "espera" simplesmente no sentido escatológico de antecipar o fim. Na verdade quero dizer que ela, aberta ou disfarçadamente, deseja que o fim aconteça. Talvez meio consciente de que seus argumentos por si sós não são totalmente convincentes, e talvez desconfortável com sua própria acumulação gananciosa de poder temporal e riqueza, a religião nunca deixou de proclamar o Apocalipse e o Dia do Juízo Final. A outra quase metade dos crédulos não Abraãmicos acredita em outras fantasias, como o hinduísmo, por exemplo. Nós, racionais (talvez 2%), por um lado, estamos aliviados em saber que aquilo nada mais é do que, no melhor das hipóteses, uma verdadeira paródia (se não fosse tragédia) da origem do mundo. Mas somos nós, os racionais, os ateus, os 2%, ou seja, a minoria quem mais sofremos com a pressão desses lunáticos; esses não suportam a ideia de que existem pessoas que não tem medo de pensar e refletir sobre conteúdos.

O Novo Testamento é muito pior que o Antigo, porque no Antigo Deus mata e manda matar; acabou! Mas o "Novo" nos impõe um sistema de ameaças que deixariam corados de vergonha e inveja Hitler com o nazismo, Stalim e Kim Jong-Un, da Coréia do Norte com o comunismo. No "Novo" você já nasce pecador, devendo sua vida a Jesus, que morreu por você (por apenas três dias!) pelos seus pecados, a despeito de você querer ou não isso. Oras, toda ideologia que ameaça com castigo e inferno é perversa, e deve ser rejeitada. Se rejeitamos Stalin e Hitler, por que não faríamos o mesmo com Jesus?

O inferno não é uma teologia judaica, o inferno foi introduzido por Jesus; essa versão "boazinha" Javé dos cristãos. Foi Jesus quem começou a falar de Inferno e castigo em lago de fogo. Jesus diz claramente que quem o rejeita será castigado no inferno. Jesus ameaça com punição em João 3:36: "Quem crê no filho (nele) tem a vida eterna. Quem recusa crer no filho não verá a vida. Pelo contrário, a ira de Deus permanece sobre ele". Ou seja, quem rejeita Jesus é ímpio, é mau, e por isso serão castigados!

Pergunte-se: você seria uma pessoa ruim por rejeitar as ideias de Hitler ou Stalin? Acho que não, né? Então por que rejeitar as ideias de Jesus (na base de ameaças e chantagens emocionais) automaticamente o torna uma pessoa ruim, e deve ser castigada num lago de fogo e enxofre? Pior ainda; deve ser torturado por toda eternidade. Uma das muitas ligações entre a crença religiosa e a infância sinistra, mimada e egoísta de nossa espécie é o desejo reprimido de ver tudo esmagado, destruído e reduzido a nada. Essa necessidade de cólera se soma a dois outros tipos de "alegria culpada". Primeiramente, a morte de alguém é cancelada -- ou talvez quitada ou compensada -- pela obliteração (eliminação) de todas as outras. Em segundo lugar, é sempre possível esperar de maneira egoísta que alguém seja pessoalmente poupado, se recolha satisfeito ao recesso do exterminador em massa e observe de um lugar seguro o sofrimento daqueles com menos sorte.

Tertuliano (um dos muitos pais da Igreja -- 160-220 E.C. -- que introduziu a palavra "Trinitas", que mais tarde seria a "Santíssima Trindade") achou difícil dar um relato convincente do Paraíso, talvez tenha sido inteligente ao buscar o mínimo denominador comum e prometer que um dos prazeres mais intensos da outra vida seria contemplar eternamente as torturas dos condenados (!). Sim, qualquer crédulo consegue definir o inferno muito melhor do que o Céu! Que tocante; que lindo; que inveja. Tá escorrendo uma lágrima aqui. Dá até vontade de se ajoelhar e se converter, não dá? Será que você, leitor (tendo acertado na escolha da religião), verá seus pais, seus filhos, seus irmãos ou seus amigos​ gritando no caldeirão do Diabo, caso eles tenham sido enganados e seguido erradamente alguma outra religião, ou não tiveram tempo de se arrepender dos seus pecados no leito de morte? Como você viverá essa felicidade plena no Céu lembrando (e contemplando o sofrimento) dessas pessoas a quem você aprendeu a amar, que estarão no inferno? Nós não lembraremos deles no Céu, é isso? Mas então seremos como zumbis, pois somos nossas lembranças, nossas histórias. Se tirarem isso de nós, estaremos como mortos, não parece óbvio?

Falando sério, o sensato é simplesmente rejeitar toda perversidade, ponto final. Pois impingir tais insanidades nos cérebros das crianças é a pior das maldades.

Texto de Richard Hoffman

segunda-feira, 1 de maio de 2017


O DIABO QUE TE CARREGUE
Capítulo 12

A Invenção da Personificação do MAL

Os devotos de Javé gostam de pregar o "Livre Arbítrio". Livre arbítrio esse que não está escrito em nenhum lugar na Bíblia, muito pelo contrário; há naquele livro somente ameaças e chantagens emocionais, com condenações sumárias, que, foram executadas, diga-se de passagem, com muito prazer durante séculos seguidos, por cristãos e Islâmicos (estes últimos continuam em plena atividade degolando geral), em nome de Javé/Alá e em nome de Jesus e/ou Maomé.

As características de Javé são revindicadas pelo próprio como sendo incomparáveis, exclusivas e absolutas: crueldade; desonestidade; ciúme doentio; injustiça; temperamento explosivo; xenofobia; ira até contra as mulheres grávidas; gosto pelos flagelo​s e chacinas; amante de sangue e gordura; assassino impiedoso. De todos esses itens, apenas um será tomado como exemplo neste capítulo: a crueldade. Nada de amor, apenas temor. Não pode haver nada mais cruel que uma autoridade -- qualquer que seja ela -- mandar filho matar pai e pai matar filho. Ao leitor desse texto eu faço uma pergunta: existe tristeza maior no mundo do que um pai ou uma mãe enterrar o próprio filho (a)? Sim, por mais absurdo que pareça: é MATAR SEU PRÓPRIO FILHO. Pois Javé mandou matar irmão/filho/esposa/amigo se estes tivessem convidado a servir outros deuses. O HORROR É A LEI, observe:
"Se seu irmão, filho de seu pai ou de sua mãe, ou seu filho, sua filha, ou esposa que repousa em seus braços, ou amigo íntimo quiser seduzir você secretamente, convidando: 'vamos servir outros deuses' (deuses que nem você nem seus antepassados conheceram, deuses de povos vizinhos, próximos ou distantes de você, de uma extremidade da Terra a outra), não faça caso, nem dê ouvidos. Não tenha piedade dele, não use de compaixão, nem esconda o erro dele. Pelo contrário: você deverá matá-lo. E para matá-lo, sua mão será a primeira. Em seguida, a mão de todo o povo. (Deuteronômio 13:7-9. Ver também Deuteronômio 13:15-17 e Êxodo 22:20).

Lembrando, ao caro leitor, do quinto mandamento desse Deus hebreu: "Não Matarás".
Portanto, quem prega o "Livre Árbitro" bíblico é o típico crédulo que tem uma Bíblia, mas não a lê. Pois quem segue um livro sagrado está condicionado a aceitar cegamente tudo o que esse livro diz. O crédulo está condicionado a jamais fazer uma análise crítica dessas escrituras sagradas e anotar suas incoerências, suas contradições e seus erros, por mais absurdos que esses erros sejam. O fiel não tem esta liberdade, porque ele aceitou (ou lhe foi impingido no seu cérebro, na lacuna do medo) esse livro como revelação divina. Então, tudo o que há de ruim e errado do ponto de vista racional, a mente do crédulo será programada a justificar e defender tais insanidades do ponto de vista da crença em seu Deus e da sua religião. A bem da verdade, não existe de fato "interpretação bíblica". O que existe de fato é o que "você acha" que é a sua interpretação da Bíblia. Se Deus é a autoridade suma e última, então não há regras às quais deva submeter-se. Assim, ele pode escolher não prever a vida dos homens, mas não pode proibir-se disso; não pode fazer-se incapaz disso. Se por algum motivo qualquer, Deus quisesse prever nossa vida como o roteiro de um filme, visto que é onipotente, criador dos céus e da Terra, poderia fazê-lo, pois não existe limites ao que sua vontade é capaz de perpetrar. Por outro lado, se não puder fazê-lo, não é onipotente -- logo, tampouco é um deus. Portanto, quanto à presente questão da incompatibilidade entre existência de um deus onisciente e a liberdade humana, podemos dizer que a existência​ de um deus implica necessariamente a escravidão de tudo o que se encontra debaixo dele. Assim, se Deus existisse, só haveria para ele um único meio de servir à liberdade humana: seria o de cessar de existir. Uma pergunta hipotética: o mal é uma livre escolha feita pelos seres humanos que depois vão prestar contas num tribunal divino? Digamos que sim. Então, se não houvesse a teoria do "Livre Arbítrio" pela qual os homens podem contrariar a vontade de Deus e pecar, Deus seria o responsável por todo o mal da Terra? Seria isso mesmo? A resposta obviamente seria SIM, Deus seria o responsável. Mas aí qual seria a vantagem de seguir esse Deus? Que diferença haveria entre Deus o Diabo, afinal? É aí que está a questão: não haveria a necessidade do Diabo, simples assim. E não havendo o Diabo, Deus não seria necessário. Crer nisso, obviamente não é natural. A religião é o subproduto do erro, uma ideia, uma visão de mundo ou filosofia que deveria ser abandonada a milênios, visto quanta desgraça ela trouxe a humanidade. A fé pode até não ser uma anomalia, mas a religião é. Não é a fé -- a boa fé -- em si que se aproveita das piores fraquezas do ser humano, mas as religiões (criadas com funestos propósitos​) que​ se aproveitam das fraquezas humanas, para controle social; qualquer pesquisador sério e com boa vontade pode ver isso. E a fé -- que talvez seja a mais ingênua, natural e pura das nossas fraquezas -- é o alvo principal dos líderes religiosos. Ninguém compreende tão bem o que se passa na cabeça de um ser humano simplório, ignorante, desavisado tanto quanto um grande líder religioso, ninguém (talvez nem Freud).

As três religiões Abraãmicas sempre tomaram o devido cuidado de silenciar ou executar aqueles que as questionam. Esses bastiões usurpadores da fé se aproveitam da ignorância e do medo natural do homem; o medo do desconhecido, com a finalidade de entorpece-lo de ilusões e de falsas esperanças. No entanto, os charlatões nunca teriam tanto sucesso se o homem não fosse um ser egoísta por natureza também. Por tudo isso, se fez a necessário criar uma figura do mal; do mal personificado, com a clara finalidade de eximir "Deus" da culpa, e recolocá-lo como nosso "Salvador" por meio de seu filho. E as religiões com seus templos e igrejas (as casas de Deus) estarão sempre lá, de portas abertas, para "lhe proteger" do Diabo... que eles mesmos inventaram! Nos é doutrinado que existe um único poder, e quando ele é usado de maneira construtiva, harmoniosa e pacífica, as pessoas o chamam de Deus, bem-aventurança ou felicidade. Quando usamos esse poder de maneira ignorante, estúpida, maliciosa, ele recebe o nome de Diabo.
No entanto, o poder, na verdade, é um só, e o mal só existe porque é um movimento do pensamento. O mal que fazemos nunca vem de fora de nós, mas do nosso cérebro. É um movimento natural, não sobrenatural. E quanto a bondade, é natural também que, tratar os outros como gostaríamos que os outros nos tratassem é um preceito sóbrio e racional, que é possível ensinar a qualquer criança com sua noção inata de justiça (e que acaba com todas as "beatitudes" e parábolas de Jesus) está perfeitamente ao alcance de qualquer ateu, e não demanda masoquismo/sadismo e histeria quando violado. O bem também é lentamente aprendido, como parte da evolução dolorosamente lenta da espécie, e uma vez compreendido nunca é esquecido. A consciência comum dá conta disso, sem a necessidade de qualquer ira celeste por trás.
Texto de Richard Hoffman